drops rock

quinta-feira, 3 de abril de 2014

De Rolê na Lei




De Rolê na Lei




Artigo 5º, inciso XVI da Constituição Federal: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização”.

A Constituição da República do Brasil destaca em seu artigo 5° o direito de ir e vir do cidadão e creio que isso deva valer em quaisquer circunstâncias. Mas não é o que acham os proprietários dos shopping centers quando o assunto é “rolezinho”, alegando que tais eventos dão margem a roubos, furtos e brigas. Mesmo que a administração de determinado shopping considere perniciosos tal ação, o exercício da lei ainda sim deve prevalecer, mas a mesma também precisa ser refletida.
 
Os “rolezinhos” - encontros que jovens agendam via internet para se reunirem nos shoppings ou em outro local – tem aparecido constantemente na imprensa, mas já vem sendo propagado há algum tempo, principalmente nos shoppings mais próximos às periferias. No Boulevard Tatuapé por exemplo é constante uma concentração de gays e lésbicas na praça de alimentação em uma determinada data da semana. Outra concentração de jovens que gostam de funk acontece no Shopping Itaquera, o qual tem como público consumidor os próprios rapazes do “rolé”.
 
Tivemos há algum tempos outros “rolezinhos” com cunho mais político. Várias entidades em defesa da igualdade racial ( como a Educafro ) já protagonizaram visitas em shoppings em sinal de protesto à discriminação não apenas de raça ou cor mas também social que a população da periferia enfrenta diariamente. Nessas reuniões jamais foi noticiado um incidente sequer, muito menos alguma tipo de ato de vandalismo ou infração.

Diante dessas duas formas distintas de “rolezinho”, partiremos para uma análise um pouco mais profunda acerca de suas naturezas. No primeiro caso, o “rolezinho” voltado mais a recreação tem como artífice o jovem da periferia que ouve “funk ostentação”, corruptela do Funk que trás em suas letras temas como andar com roupas de grife, tênis caros, pulseiras, relógios e anéis de alto valor, objetos de desejo que se eles não irão comprar ao menos poderão visualizá-los nos... Shoppings, que aliás é o ambiente urbano mais acessível para encontros, para comer algum lanche, lugar que dispõe de banheiros e bebedouros decentes e até de segurança, no caso não apenas real mas virtual, como os sistemas de câmeras. A carência de centros de convivência, praças, parques e espaços culturais na periferia tem como atrativo a visita a esses lugares de comércio pela população carente, que também busca consumir os produtos excessivamente oferecidos a ela pelos veículos de comunicação em massa. Como se diz por aí “Shopping Center é a praia do paulista”.
Já, os movimentos “politizados” que circulam nos shoppings objetivam estreitar o caminho da população marginalizada economicamente ao acesso de consumir os produtos que a elite insiste em manter um fosso de distância. E, se não consumi-los, ao menos circular nesses ambientes em pé de igualdade, o que já encontra uma enorme resistência das camadas conservadoras. Talvez haja uma preocupação dessa elite de que esses encontros são realizados de forma pacífica e que qualquer incidente que por ventura ocorra é passível de acontecer como eventualmente em outras aglomerações.

Por outro lado é importante salientar que o shopping embora seja um local que receba um público não é uma instituição pública. Tal empresa é um empreendimento particular e como tal tem seu próprio regulamento, ou seja, em seu estatuto não permitir tais manifestações também deve ter seu direito garantido, é como uma igreja onde o padre tem plenos poderes para determinar a permanência ou ausência do fiel.
Em suma, é considerável que o cidadão em primeiro lugar conheça os meandros da Lei antes de imaginar que tenha deliberadamente quaisquer direitos garantidos afinal direito a manifestação, de ir e vir e de livre expressão deve prevalecer , mas para tanto também depende de certas prerrogativas atribuídas através dos órgãos que recebem os “rolezinhos” pois até os protestos necessitam de organização.


domingo, 30 de março de 2014

Copa do Fim do Mundo

 Copa do Fim do Mundo 


   Desde que ficou decidido de que o Brasil será o país sede da Copa do Mundo em 2014 as pessoas dividem opiniões a favor ou contra o evento, mas a grande verdade é que nenhuma consulta popular prévia foi proposta, de modo que quaisquer negativas posteriores não serão atentadas. É o  que podemos chamar de “voto vencido”. Se pudéssemos refletir a respeito do tema e considerar tais ponderações a resposta seria contrária a realização  da Copa.  São tantos desacertos que é inviável apenas falar de um único tópico negativo, de modo que segue uma lista elencando os principais problemas que envolvem a realização do acontecimento em nosso país.
   Estima-se que o Governo investirá 20 bilhões de reais em infraestrutura para receber a Copa que serão distribuídos em
transporte, segurança, e cultura. O  que não haverá é garantia de fiscalização das obras e transparência no destino dessa verba. 
   O Brasil passará a ter 12 estádios de futebol modernos que poderão ser utilizados para shows, inclusive em Manaus e em Mato Grosso. Entretanto, nesses estados a infraestrutura no que tange à transporte, turismo e mobilidade urbana devem se equiparar às necessidades que envolvem a construção de tais estádios e isso é algo que não ocorre.
   Está previsto ainda a visita de cerca de 600 mil estrangeiros e o fluxo de turistas dentro do próprio território chegará a 3 bilhões de pessoas. Esses dados são alarmantes pois tal demanda redundará num caos no transporte aéreo. 
   Segundo estatísticas,  a Copa do Mundo possibilitará a criação de 700 mil postos de trabalho resultando desse montante 330 mil postos permanentes. É necessário ao analisarmos esses números de forma   mais concreta, afinal é difícil definir quais postos de trabalho permanentes o evento futebolístico  poderá  agregar haja vista que o mesmo  ocorre apenas alguns meses no país.  Será notório que teremos um aquecimento no PIB  porém de curto período, e, em se tratando de um ano eleitoral esses números devem ficar bem visíveis para poder rebater futuras críticas da oposição que intenta galgar o poder.    
   A questão da segurança também é um dos agravantes que ameaça diretamente a realização  da Copa do Mundo no Brasil. Os conflitos entre policiais e milícias das favelas do Rio de Janeiro já é fato recorrente nos noticiários internacionais. Soma-se a isso a onda de protestos que assolou o país a partir de julho de 2013. Alguns desse protestos tem como patrocinadores grupos políticos com interesses particulares, outros partem da própria manifestação popular espontânea. Em suma, seja qual for o propósito desses protestos toda essa balbúrdia colabora para o afastamento dos turistas e quiçá acarretará numa  suspensão da realização dos Jogos Olímpicos em 2016.
  Mas o maior problema de se realizar a Copa do Mundo no Brasil é o custo das obras superfaturadas que o evento pode proporcionar. Para se ter uma ideia, Ricardo Teixeira, um dos membros da comissão organizadora da copa  foi acusado pelo Ministério Público de  lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
   O Brasil ocupa a 73° posição no Índice de Desenvolvimento Humano de modo que os 20 bilhões utilizados na Copa do Mundo poderiam ser  melhores utilizados para necessidades mais prementes como Educação e Saúde. 
   Diante o exposto, conclui-se que posto à balança o país tem menos a ganhar com a realização da Copa do Mundo do que o contrário. Tal realização do evento aqui sacramenta o compromisso que os atuais governantes tem em maquiar o desenvolvimento econômico no país e o pior de tudo, enriquecerem seus bolsos com desvios de verbas da Copa e superfaturamento de diversas obras. 

domingo, 23 de março de 2014

Epístola Abeta a Arthur

   "Toda criança que nasce nos trás a certeza de que Deus não perdeu a fé na humanidade". Este é um provérbio carregado de verdade, principalmente no momento em que se concebe sua própria criança. E, no meu caso, esta criança que poderia ser Pedro, que poderia ser Antônio decidiu ser Arthur, verdadeiro rei e que a partir de então irá nos governar.
   Há quem duvide que Rei Arthur tenha existido mas não resta dúvida sobre a grandeza e representação de orgulho para uma nação. Por enquanto nosso pequeno rei passou a nos orgulhar no domingo 16, às dezoito e vinte e três. Nasceu num domingo como o pai. Veio com três quilos e meio como o pai, mas levou os olhinhos e o nariz da mãe.
   Não foi esperado seu assento em tal data, de modo que sua concepção também não fora, mas nem por isso houve desespero pois nos nove meses Arthur levou vida de rei comendo e bebendo do melhor, dormindo e aparecendo frequentemente na televisão, nos ultrassons quase rindo - ao menos eu cheguei a perceber seu sorriso lindo com as mãozinhas próximas a boca.
   Seu nascimento foi tão inopinado quanto a notícia de sua concepção, o que nos mostra mais uma vez o quanto aquele minúsculo ser já tem opinião própria. A mãe apregoava seu nascimento  como parto normal mas essa probabilidade partiu quando sua pressão subiu. Talvez fosse mesmo isso: o conforto do ventre é tamanho que Arthur não quisesse sair de lá. Num mundo de incontáveis vicissitudes, num planeta eivado de guerras, com barbáries a todo momento talvez fosse melhor ficar lá... Mas o espaço já está curto e a estada de Arthur estava vencida. Sua coragem de rei exigia buscar um mundo melhor. Então rompeu-se o cordão.
   Veio então a concepção. Muito rápida e de tão veloz nem me dei conta de fotografar ou filmar o parto.
Também não chorei no momento, foi um misto de estado de graça com estado de choque. Meu filho! Meu primeiro herdeiro de minha riqueza de valores, riqueza de moral, de humanidade mas também de humildade. Numa tarde de verão em que meu time de futebol perde eu ganho a maior felicidade que copa do mundo nenhuma pode garantir. ter um filho é como ter outra festa após a festa. todos os movimentos que o bebê realiza é uma nova descoberta. A mãe está deitada quieta, recuperando-se de sua nobilíssima tarefa que é parir a humanidade e "apenas" isso...
   E, já que Deus não perdeu a fé na humanidade porque a humanidade perderia a fé em sí mesma? Com tudo que há de ruim no mundo precisamos regar essa árvore dos bons valores para colhermos os frutos de uma sociedade mais humana, deixarmos o planeta melhor do que encontramos, ainda que seja incerto o resultado, nossa vontade deve ser certeira.
   Arthur, desejo do fundo de meu coração todas as alegrias que encontrará em sua nova jornada em nossa morada tão precisada de amor mas que você poderá dividir esse sentimento  dada a quantidade consideravelmente grande que recebeu, está recebendo e que receberá.
   Muita saúde, paz, fé e tudo mais daquilo que conversaremos quando mais adiante seguirmos os passos um do outro...

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Pátria de Chuteiras e Botinadas

Pátria de Chuteiras e Botinadas

A apropriação dos gostos populares para fins políticos sempre ocorreu na história da humanidade e ainda acontece até hoje seja através da música, das representações artísticas de forma geral e no esporte, atividade esta na qual o texto que segue irá se focar sobretudo no futebol e como tal relação com a política se estabelece no Brasil.
   A estreita relação política com  futebol sempre ocorreu não apenas em nosso país e não somente no que se refere particularmente a este esporte. Os regimes de excessão e as ditaduras fazem uso frequente desses expedientes no intuito de conter os ímpetos de cobrança de melhores condições de vida da grande maioria da população. Na Itália Facista e na Alemanha Nazista por exemplo os esportes foram extremamente utilizados como propaganda política. Um dos fatos mais emblemáticos que endossam o poder do regime nazista foi quando Hitler negou-se a entregar a medalha de ouro ao campeão olímpico de corrida Jesse Owens porque o atleta era negro.
   No Brasil é de praxe sacramentar que a ditura militar se aproveitou dessa imagem de país vencedor da Copa do Mundo para justificar semos os “maiores” em tudo. O desenvolvimento econômico era  constantemente comparado ao futebol. A imagem mais significativa desse período é o presidente Médici utilizando um uniforme de jogador de futebol ensaiando uma embaixada enquanto muitos brasileiros contrários do regime eram torturados e mortos pelo próprio governo. Mas não foi apenas a ditadura militar que se aproveitou do sucesso esportivo. Em 1958, ano em que o Brasil foi campeão mundial, Juscelino Kubitscheck também discursava junto ao seus “cinquenta anos em cinco” apropriando-se da vitória brasileira do campeonato mundial para mostrar o quanto o país era moderno. Até Getúlio Vargas também deu sua contribuição, de modo que podemos afirmar que a imagem do país do futebol, da “pátria de chuteiras”  foi programada tacitamente ao correr das décadas.
   No ano que segue o Brasil sediará a Copa do Mundo e ainda que hoje o país esteja governado por um regime político em tese democrático, o mesmo fará uso do estabelecimento do evento para discursar que o país está em plena expansão
econômica e social o que justifica a realização da Copa do Mundo aqui.  Entretanto, o que ocorre na verdade é o mascaramento das enormes dificuldades para realizar o evento. Não há aeroportos suficientes, faltam estádios e muitos estão ainda inacabados, há ausência de transporte público em quantidade e qualidade, isso para não falar de escassez de energia elétrica e água. Há ainda a falta de segurança. A premência em se realizar o que ainda resta fazer abre margem para a acusação de negligência e estímulo a corrupção, mola mestra dessa estrutura que favorece acordos escusos com empreiteiras, licitações às pressas ( quando essas ocorrem ) e uma série de negociatas que virão à tona ao término da copa.
   Ainda que hoje tenhamos manifestações de rua aos borbotões, inclusive contra a realização da Copa do Mundo no Brasil, desacredito que tais atos sejam tão somente desacordos populares advindo da massa da população insatisfeita. Não é à toa de que cogitou-se pagamento em dinheiro para alguns manifestantes – aqui a política de pão e circo por um outro ângulo. Num ano eleitoral tudo acaba sendo arquitetado como instrumento político, pró ou contra o governo.  Se por um lado a população de certa forma tem reagido contrária ao desperdício de dinheiro em obras de infraestrutura para tal evento, de outro  a grande mídia têm-se mostrada conivente com o governo pois exibe-se muito pouco acerca da enorme desorganização do evento nos jornais e nas redes de televisão, o que levanta a questão do verdadeiro interesse das mídias para que o evento aconteça ( audiência, anunciantes ). Ou seja, vivemos um momento do apogeu do capitalismo selvagem em que cada classe está extremamente preocupada com seus interesses, sejam eles econômicos ou de obtenção e manutenção de poder, mas nunca com o verdadeiro bem estar social.
   E por último, mas não menos importante é o que denominarei de talento individual dos atletas como fator determinante. Explico: ainda que fatores externos influenciem o resultado de uma partida de futebol ou mesmo de um campeonato mundial tem-se uma “carta na manga” que é o talento individual do jogador de futebol. Há quem diga que mesmo o futebol é um jogo de cartas marcadas e podemos considerar tal assertiva verdadeira até certo ponto. Desde a escolha das chaves as seleções que compõe quanto os lugares onde se realizarão os jogos. Como ilustração lembro-me de certa vez em que aconteceu um jogo amistoso da seleção brasileira que foi realizado no estado do Maranhão e transmitido pela Rede Globo, num dia que excepcionalmente a novela terminaria antes de seu horário habitual para a exibição do evento. Um pouco antes da novela o Jornal Nacional noticiava uma suposta candidatura da maranhense Roseana Sarney para a presidência. “Juntando os pontos” compreende-se o porquê do jogo no mesmo estado da futura candidata.( É claro que a candidatura não decolou após denúncias de corrupção do governo da filha de José Sarney, mas isso é outra história).
   Resumindo, ainda que se  planeje todo um aparato ideológico, na prática o atleta pode não efetuar o resultado esperado e toda consequência positiva da Copa não passar de quimera. O país  está numa encruzilhada: se se vence o campeonato mundial continuará a política de pão e circo de sempre, com a falsa ideia de desenvolvimento econômico etc;  se o Brasil perde a Copa poderemos perceber com mais clareza a recessão que irá se seguir, afinal em ano de Copa do Mundo o país trabalha menos e todo o gasto realizado para as obras da Copa agora é apenas gasto, não é investimento, ou seja, esse dinheiro não irá retornar aos cofres públicos com a mesma rapidez com a qual saiu. Muda-se o governo, fala-se de outros países, mas a maneira como se faz para manter o controle das massas é usado desde há muito tempo e ainda continuará mais um tanto, enquanto não houver governantes compromissados com as verdadeiras necessidades sociais. 

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Drops Rock 48 - Toca Raul !!!

Drops Rock, a mosca na sopa da internet, presta uma singela homenagem a ele que não só é a luz das estrelas: o grande raulzito que até hoje leva multidões a shows covers afora e faz um pusta sucesso, merecidamente. Pra aparecer outro maluco beleza com a postura de Raul Seixas leva-se anos, talvez dez mil. Curte aí senão... eu também vou reclamar!... E fim de papo...



quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Drops Rock 20 - Baixa nas Bandas - parte 2

http://www.4shared.com/mp3/fQv0WgtV/Drops_Rock_20_-_Baixas_nas_Ban.html
Depois de algumas/várias cervejas na cabeça é louvável que esse Drops Rock tenha acabado em Samba (!) . Confira o bom humor de mais um programete!


Drops Rock 19 - Baixa nas Bandas


Será que depois de um dia de trabalho cansativo dá pra gravar um Drops Rock no bar?  Eis aí a primeira tentativa. Nesse Drops Rock Coletivo temos várias participações, até do Fernando "moderninho" ! KKK!

http://www.4shared.com/mp3/shIpk65L/Drops_Rock_19_-__Baixas_nas_Ba.html