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drops rock
terça-feira, 15 de julho de 2014
sábado, 5 de julho de 2014
Loiras na Alta Noite
Eu estava perdido. Em
Mogi das Cruzes, estado de São Paulo, dentro da rodoviária próxima ao centro
comercial da cidade, mas perdido. Nessa época trabalhava no Shopping Center e
era período das festas natalinas. E em tempo algo muito importante de ser
lembrado com atenção ímpar. É nessa época do ano em que nós precisamos nos
recolher e nos curvarmos em agradecimento a ele que veio ao mundo para nos
salvar: o décimo terceiro salário, ou você pensou que eu falava de Jesus? Ai,
meu Deus, mas que diabos! É a hora de o operário comprar aquela calça que ele
produziu custando dez e que agora na loja ele vai compara por vinte e nem
sequer dar conta de que o mesmo proprietário da indústria em que ele trabalha também
é dono das lojas do comércio local.
Bem, mas como eu
dizia, estávamos perdidos, eu e os proletários ávidos para consumir a enganação
mensal que o patrão nosso de cada dia nos paga. Foi por causa dessa alheia
procura desenfreada por presentes que fui deixar meu local de trabalho fora de
meu horário habitual de expediente e perdi o último ônibus, o último trem, o
último táxi e talvez perdesse o último avião se houvesse. Como escrevera Drummond
“perdi o bonde e a esperança”...
O jeito era esperar
madrugar. Quatro da madrugada era batata ter ônibus circulando. Sentei-me na
cadeira da rodoviária e pseudo-semi-quase-que cochilei. Logo depois decidi dar
uma volta pelo centro da cidade, afinal muitos bares ficavam abertos ali –
gente fina é outra coisa.
Entrei nu boteco que
tinha aquelas máquinas em que se põe uma moeda e escolhe música. Joguei um
níquel escolhi uma melodia de uma banda americana de rock dos idos do final dos
anos de 1960 – The Doors. É importante explicar o porquê. A canção era muito
comprida assim seria um bom investimento ter gasto a minha moeda. E lá estava eu na quarta cerveja e o som dos
Doors ainda tocava. Fui me sentar numa mesa próxima ao sanitário feminino e
isso me preocupava, pois no momento de descarregar a cerveja eu não poderia me
confundir...
E foi então que ela
apareceu na porta dói banheiro. Ficou parada fumando de piteira com uma classe
de fazer inveja. Um luxo! Trajava saia justíssima, um decote na blusa turquesa
deixando evidentes seus seios cheios. Maquiagem no lugar, cabelos compridos,
alourados e soltos... mas seu rosto era velho, cansado, abatido por alguma
coisa que tão logo eu ficaria a par. Meus lábios não proferiram palavra; em
contrapartida meus olhos diziam, gritavam, tagarelavam. ela mesma se
prontificou:
- Posso me sentar
junto a você?
Bem, é claro que
concordei. Se já estava perdido, me perder um pouco mas não faria diferença. Perguntei
a ela se queria um drinque no que ela aceitou. Para quem hesitaria em gastar um
níquel numa máquina que toca música minha radical mudança de comportamento foi
surpreendente. Blá blá, blá vai blá, blá, blá vem ... perguntei seu nome e ela
me disse Lorena. Deixei que uma atmosfera se sensações tomasse espaço dado momento.
Eu sabia que aquele semblante fatigado e enfastiado deveria ter passado por uma
série de bons momentos porque se o rosto não atraía o corpo até que não era lá
de se dispensar. Estava enxuta a coroa. E é até cruel chama-la de coroa. Com aquele
corpo deveria ser uma atleta de alcova. Às vezes diz-se que está tudo em cima:
peito em cima de barriga, barriga em cima de coxa... essas coisas...
Mas era meso uma
coroa. Aliás, era uma figura mais ilustre do que eu imaginava. Nada mais nada
menos do que... a Loira do Banheiro! Ela me disse isso na maior naturalidade e me
emocionei, quase quis pegar um autógrafo mas aí pensei quanto era tietagem e
ela poderia me interpretar mal. A loira falava e eu não conseguia raciocinar. Como
ela poderia frequentar várias escolas ao mesmo tempo? Poderia ser uma farsante,
uma sósia, um clone, quem sabe. Mas no meu tempo de escola ovelha Dolly só em
ficção científica.Naquela ocasião essas interrogações não vieram á baila. E,
como que adivinhando minhas curiosidades prementes começou a falar de seu
passado. Disse que fora uma menina muito bonita e precoce. Dez anos de idade
tinha corpo de dezoito. Mas mesmo em tenra idade teve homem que não respeitou a
abusou sexualmente da menina. Tal episódio fez com que Lorena criasse asco por
sexo a ponto de querer se vingar. Como não encontraria o verdadeiro criminoso
decidiu atrasar a vida de qualquer homem. Alto ou baixo, obeso ou esquálido,
negro ou pálido, ninguém escaparia de Lorena...
Dito e feito. Passou
o resto da existência destruindo homens, machucando machos, adulterando
adúlteros. Até que um dia notou que ninguém mais dava bola para ela. Na vida
terrena o sistema de aparências instaurado em nosso mundo livre cobra seu
quinhão. Lorena foi ficando velha. O cabelo teve de tingir. Começou a usar espartilho
para despistar os “pneus” e meia calça para camuflar as pernas eivadas de varizes.
Pensou até em cirurgia plástica mas seus honorários não daria para tal. Foi
ficando mofina, moribunda, mocréia, mixa. Refletiu e pediu a conta. Iria se
aposentar.
_ Olha Lorena, você
não está velha nem nada. Apenas amadureceu. Seu erro na vida foi querer se
vingar de todo mundo e todo mundo não tinha culpa. Ninguém é igual, nem nossos
dedos das mãos. As pessoas não são classificadas como boas ou ruins, são o que
são. Comece a pensar assim e vai encarar os homens de outra forma. Eu por
exemplo não sou cruel, eu juro que...
Aí a loira começou a
me encarar de uma maneira mais penetrante. O olhar flamejava, a boca seca, algo
estranho... Recomeçou a falar a me xingar e quase a me bater.
- Ahá! Você também
tem esse papo de cara bonzinho? Olha, se bobear foi você mesmo quem me bolinou
naquela noite de humilhação e dor! Você não tem vergonha na sua cara, não,
seu...
E falou um palavrão. Continuou:
E tomou uma garrafa
de cerveja e atirou-a em minha cabeça. Desmaiei.
Agora continuo
perdido. Estou num hospital, de cabeça quebrada, o dinheiro de minha carteira
desapareceu idem a loira. Acho que a cerveja que bebi estava estragada pois
vinha escrito no rótulo “desde 1888”. Eu, hein! Evite loiras geladas e
dependendo da ocasião em sentido ambíguo. Continuo perdido mas só assim poderei
me encontrar...
quinta-feira, 3 de julho de 2014
Rei da Estrada - Por Fábio Sant'Anna
terça-feira, 24 de junho de 2014
Tom - O Suicida
Aqui segue meu primeiro experimento de animação. Daí para o desenho animado é um pulo. Mais em asboasdosant'ana.blogspot.com
sábado, 21 de junho de 2014
Drops Rock 53 - Michael is Live ou...
No programa de N°53 prestamos uma homenagem póstuma a Michael Jackson... Póstuma? Eis a dúvida, afinal Michael morreu ou virou purpurina? De repente ele pode estar mais vivo do que eu e você. Assista nosso programete até os créditos finais e terá uma grande surpresa!
quinta-feira, 19 de junho de 2014
domingo, 1 de junho de 2014
Drops Rock 52 - Beatles Boy Band?
No programa 52 Fábio Sant'Anna desabafa sobre as boy bands e tenta tirar desse saco de gato os Beatles. O que ou quem são as boy bands e o que elas pretendem. Curta o programa e relembre daquela banda de 'rock' que voce tanto gostou.
quarta-feira, 28 de maio de 2014
Um Artigo de Mauro Marcel
globo, hashtag e copa
Não tenho o menor interesse em discutir o óbvio ululante, os problemas dos brasis não se resolverão com o fim do torneio e nem começaram nele. Não quero falar sobre os bilhões investidos num torneio e não gastos com saúde, educação, segurança.
Também não quero falar mal da rede globo. O problema não está na globo, está no cara que segura o controle remoto, não se esqueça disso.
É fácil dizer hoje que hashtag não vai ter copa.
Já sou velho nisso. Não houve copa pra mim em 1998, em 2002, 2006 e 2010. Houve em 1994, mas eu era muito criança e estava eufórico, porque pela primeira vez tínhamos televisão em casa e sabe como são as coisas. Em 94 fui campeão, aliás, tetracampeão com a seleção do Parreira, do Romário, do Bebeto. Pessoas que invadiam minha casa e traziam a alegria que fora ceifada com a morte do Senna. Alegria?
Em 1994 foi o início de uma nova era, a hiperinflação acabou e muitos jovens púberes, ou impúberes não sabem “ainda” o que é acordar com o pão custando 1 edormir com ele valendo 10, ao fim do mês custa 100 e com o passar de várias semanas não tem mais pão. Não vou defender o pessoal tucano que projetou o plano real, mas ao final do ano com a vitória do Brasil me senti um idiota vendo fernando henrique assumir a presidência na esteira da conquista nos Estados Unidos.
E por falar dos irmãos do norte, nessa copa do tetracampeonato havia um estádio que nem tinha o tamanho específico para uma partida de futebol amador, foi feita uma adaptação de um estádio de futebol americano, isto é, não ampliaram, não demoliram, não seguiram o padrão fifa (assim mesmo em minúsculo), é como minha avó dizia: “quem se abaixa demais amostra a bunda”.
A culpa não está na copa está no cara na frente da tela do computador.
Em 1998 o Brasil tinha uma seleção muito ruim e como as demais eram também ruins a seleção canarinho foi à final e nos sentimos no direito de dizer que a copa foi vendida para os donos da casa. Disse: nos sentimos? Eu não. Não me senti roubado, não torcia mais para futebol e ri muito alto quando ouvindo o desespero do galvão bueno ecoando pelas vozes de meus primos, primas, tios, amigos, vizinhos chorando pelo penta perdido.
Vexames em 2006 e 2010 e eu com a mesma indiferença.
O mesmo não percebia da população que pintava as ruas, torcia efusivamente, coloriam as escolas, os ambientes públicos, até igrejas. Os cultos e missas nunca na hora do jogo. As empresas parando a produção para que os funcionários assistissem às partidas. Quem é o gerente mal caráter que impediria seu funcionário de assistir ao grande clássico do futebol mundial: Brasil versus Turquia????
A culpa não está nos candidatos, está na pessoa que tecla na urna.
Imaginou? Então. Talvez por isso eu não fique indiferente dessa vez. Apenas acredito que a carne do churrasco está comprada, a cerveja está gelada e eu já paguei por tudo. Foi do meu bolso e eu fui consultado sim. Fui consultado sim. Repito: Fui consultado sim.
A culpa não está no ônibus, mas botam fogo mesmo assim.
Dentro de alguns dias começará a copa do mundo e o festival de hipocrisia começará: o safado da fifa lucrando bilhões e dizendo que há problemas de estrutura, o militante de esquerda pregando a revolução com uma mão e segurando o álbum da copa completo na outra, o galvão bueno ufanizando todas as situações, o povo no ônibus gritando que a culpa de tudo o que é ruim é da copa, sem lembrar que tudo já era ruim antes disso e não vai melhorar sem leitura, senso crítico, respeito às instituições, valorização do voto, exclusão de políticos corruptos da cena pública, crítica verdadeira e tolerância ao contraditório.
Nada vai melhorar e nem piorar com a copa, este é o grande problema. Vai tudo continuar a mesma porcaria: ninguém assume a culpa.
Quer saber, dessa vez eu vou é sentar em frente à tv, abrir uma gelada, assar a carne na grelha e ver jogo após jogo. E qual a minha expectativa para o mundial?
Resposta: Quem vai tirar maior proveito eleitoral.
Resposta: Quem vai tirar maior proveito eleitoral.
Assim mesmo. Parece que o problema da falta d’água foi resolvido, o da violência, educação, narcotráfico etc. Tudo culpa da copa. Nação sem leitura, opiniões simplistas. Sim, vai ter copa. E não importa quem vença, a história está passando e nós todos perdendo as oportunidades de construir uma nação verdadeira, com um processo civilizatório real e digno.
Mas é assim mesmo. Logo logo esquecem de tudo. Em instantes começam a falar das olimpíadas do Rio de Janeiro. Então voltamos tudo do começo.
Depois o carnaval, os carnavais...
Até que se passem quatro anos e outra copa se inicie trazendo saudades do tempo em que lutamos por um país melhor... e fracassamos.
Até que se passem quatro anos e outra copa se inicie trazendo saudades do tempo em que lutamos por um país melhor... e fracassamos.
Afinal o problema não está na globo...
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