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quarta-feira, 26 de junho de 2013

Breves Considerações Sobre as Manifestações no Brasil

Breves Considerações Sobre as Manifestações no Brasil

   O que nós temos visto nos últimos dias no Brasil é uma série de protestos e manifestações de vários tipos, de diversos propósitos e garanto que tem muita gente que diz entendedora de tudo e que tem muita gente que não está entendendo nada. Eu tento me manter no meio, mas dado minha natureza investigativa, exploratória e com um certo senso de busca pela justiça – ou pelo menos dar voz aos injustiçados – vejo-me com uma certa obrigação de externar alguns pontos de vista. Essa vontade de relatar algumas coisas é como se fosse algo meio que mediúnico, formiga minha mão para escrever qualquer coisa sobre tudo isso – e olha que eu resisti.

   Pois bem, tudo começou com os manifestantes do Movimento do Passe Livre que reinvindicava a diminuição da tarifa das passagens de ônibus. E por incrível que pareça o governo cedeu. Retornou a decisão. No entanto as manifestações prosseguiram e ainda prosseguem. Talvez seja por isso mesmo que o governo deu pra traz. Ninguém imaginava que a força popular iria se manter fiel aos seus protestos e princípios. Ninguém imaginava. Nem a mídia golpista, nem os políticos, nem a Rede Globo, nem o Arnaldo Jabor, nem eu. Na verdade cheguei mesmo a devanear de que tais manifestações aqui no estado de São Paulo fosse uma estratégia de Marketing do partido do PT para enfraquecer o governo da tucanada do PSDB. Aí um desavisado vai me questionar: mas a prefeitura petista também não se prejudicaria com isso? A curto prazo sim, mas ninguém descarta a possibilidade de um filme intitulado “Lula 3 no Governo de Sampa”, embora talvez a coisa seja bem maior... quiçá o retorno à presidência contando com o aval de militontos petistas perpetrando um golpe dentro do governo da Dilma... Ah, pode ser que eu esteja delirando...
   Depois ví outras manifestações sociais ocorrendo não só em sampa mas no Rio de Janeiro, Minas, Brasília, Ceará... bem, talvez haja realmente uma insatisfação generalizada que resolveu sair às ruas de verdade, sem o apoio da Vênus platinada como ocorreu há vinte anos no episódio do Fernandinho – ( lembra da série de TV “Anos Rebeldes” coincidindo com os movimentos dos cara-pintadas?)  
  O que me admira é tentar descobrir como esses movimentos de manifestações se organizaram. Seria muita ingenuidade achar que foi mera coincidência. Diante disso, fiz uma breve reflexão e creio que a internet com suas redes sociais certamente conseguiu movimentar grande parte desses manifestantes até porque esse público que saiu e sai às ruas são jovens estudantes de classe média que devem ter internet e fazer uso da mesma... opa! Tracei um perfil! Esses dados podem nos dar outras informações de quilates valiosos. Se a classe média tomou as ruas é porque está sentindo os efeitos colaterais de um governo que esteve teoricamente preocupado com o bem estar social. Faço as palavras de meu amigo Mauro Marcel minhas próprias tomando-lhe emprestado um trecho de um artigo que ele escreveu: 


                                  “Essa faixa da sociedade foi a grande prejudicada pelas políticas do governo , ou antes, são as menos prestigiadas: é o pessoal que não recebe subsídio pra comprar casa, paga a escola do filho ( nessa escola paga o lanche, o material didático, o uniforme, os passeios ) , a prestação dos carros, o IPTU altíssimo, não recebe bolsa família, tem que registrar a empregada doméstica, não tem cotas para entar na faculdade, não tem direito ao PROUNI.”


   Tudo isso assim escrito de supetão faz até o leitor achar que eu sou contra manifestações pelos direitos do povo. Mas temos aí no meio dessas vozes miutos povos, e é necessário separar o trigo do joio – aqui o provérbio vem invertido de propósito. A começar por uma questão que me chama bastante a atenção: será que a população que marcha nas ruas hoje não tinha motivo mais que suficiente para ter ido às ruas antes?
 Com tantos casos de corrupção como o mensalão e a continuação de culpados no congresso, com deputados e vereadores que escarnecem do povo na maior desfaçatez como é o caso do pastor Feliciano etc. E no entanto o povo só saiu agora ás ruas às vésperas da Copa do Mundo? Ou seja, nada acontece por acaso mesmo...
  Em meio  a essa massa disforme que toma todos os centros urbanos de nossa pátria vamos destacar alguns que conseguimos identificar nesse mar de tinta verde e amarelo com um pouquinho de lama e gás lacrimogêneo. Primeiro já localizamos os filhos da classe média, as mesmas crianças vindas dos ventres das mães que tiveram os bens saqueados no governo Collor e ensinaram aos seus filhos o que se deve fazer se seu cofrinho for quebrado.
   Uma segunda turma que passou a se instalar nas manifestações e que agora batem cartão são os grupos que representam os partidos políticos, inclusive o partido da situação, o mesmo partido no qual a massa exige mudanças. Esses oportunistas batem no peito e apregoam que estão com o povo e depois vão dizer que iniciaram o movimento para as futuras reformas que quiçá acontecerão. Eis-me aqui para mais um adendo: sou a favor de qualquer manifestação popular e considero a política partidária de extrema importância na manutenção da democracia. Mas querer se aproveitar de todo esse estado de coisas pra se promover é inadimissível. Sem proibição e sem violência com os representantes dos partidos políticos.
   Falo da violência porque ví várias ocorrências entre participantes da passeata agindo de forma hostil e extremamente violenta com manifestantes que hasteavam bandeiras de diversas legendas partidárias. Inclusive um grupo denominado “nacionalistas” eram os mais radicais. Por isso é sempre bom andar pra frente sem nos esquecermos de olhar de vez em quando para trás. A extinção de partidos políticos leva, a longo ou curto prazos para ditaduras. Fascismo e Nazismo eram sobretudo ditaduras sem partidos políticos e o regime militar que nos desgovernou por mais de duas décadas também, muito embora sempre tem alguém que afirma o contrário  ( um neto de general ou um correligionário órfão ).
   E por falar em violência, mais um pouquinho da dita cuja, caracterizada através do grupo que depreda o patrimônio, seja esse patrimônio público ou privado. Aí nós vamos ter algumas subdivisões desse grupo. O primeiro subgrupo é composto do pessoal que realmente não tem um objetivo definido e se infiltra nesses atos para extravasar uma violência contida que de certa maneira é fruto do nosso próprio meio, muito embora o cidadão não faça questão de mantê-la quieta. É gente que quer brigar, bater, machucar, destruir. Não os chamo de anarquistas pois vejo isso como um termo político. Também não os chamo de punks, mas classifico-os como vândalos. E temos o segundo subgrupo que é inteirado politicamente e de ideologia de esquerda radical. Eles depredam o patrimônio público pois não acreditam em negociação da parte das instituições se não se mostrarem perniciosos caso isso seja necessário. É como diz aquela velha frase “não há revolução sem derramamento de sangue”. O fato de uma parcela dos manifestantes se sentarem sob uma estátua tida como ícone cultural já é uma atitude de protesto. Quando ví as imagens da massa protestando no Palácio do Planalto aí percebi que era algo muito maior. Parecia Revolução Francesa, a queda da Bastilha, dadas as proporções.
     Eu não poderia deixar de de falar da polícia que está posta para cumprir seu papel. E no estatuto da corporação está bem claro que a primeira tarefa da instituição é defender o patrimônio. A polícia geralmente vai agir se houver alguma ameaça de depredação. Mas, como no meio das manifestações em que todos buscam defender os direitos do “povo” a polícia também o fará para defender os princípios de sua corporação. É claro que depois que uma reporter do jornal Folha de São Paulo foi alvejada com um tiro de bala de borracha no olho o jornal passou a enxergar com outros olhos ( ! ) as manifestações. Acusam a polícia de abuso de poder. Não que não haja, mas creio haver também abuso de quarto poder. Até porque os soldados da polícia militar e/ou civil são tão precisados das exigências moral e materiais que o povo pede e também essa mesma polícia tem seus atos refletidos na opressão cotidiana de suburbanos das grandes cidades.
   E por último temos... o povo... ah, o povo... falo do cidadão que trabalha todos os dias, que pega condução lotada, bate cartão de ponto, curte seu futebol e sua novela e não sabe muito bem o que está acontecendo, quase sempre refém dos prognósticos e julgamentos da televisão e de outras grandes mídias. Esse povo é quem digere as informações que as mídias golpistas enfiam goela abaixo e depois ele arrota sem nem mesmo se lembrar o que foi que ele comeu. Esse povo é que preocupa. É o mesmo povo que corre pro banco pra resgatar o dinheiro da possível suspensão do bolsa família e depois fica sabendo que era trote. Tudo isso ao mesmo tempo? Veja só quanta coisa tem dentro dessa panela de pressão?

   Diante de tudo isso e um pouco mais o único conselho que dou é o seguinte: de todos os governos não há pior do que aquele que tenta agradar a todos. Cuidado com os populistas de plantão, cuidado com a extrema direita em pele de cordeiro evangélico, cuidado com a direita que se mostra apartidária e cuidado com a esquerda canhota. E, se mesmo diante de todo esse cuidado nada mais der certo, faça uma manifestação pelos seus direitos pois pode estar certo de que você é a minoria/maioria.