drops rock

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Drops Rock 76 - Mercado e o Rock no Brasil Hoje


Nesse programa traçaremos uma breve crítica ao momento musical brasileiro, como os comentários acerca dos realitty shows de talentos  na música apresentados na TV. Outra questão é em que pé se situa o Rock tupiniquim. E, por último: existe vida intligente na música brasileira e se sim, essa vida advém dos produtores musicais? Assista a esse drops e tire suas conclusões...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Masculinicídio Necessário

MASCULINICÍDIO NECESSÁRIO

   De uns tempos para cá nunca se escreveu e discutiu-se tanto o feminismo, seja nos noticiosos midiáticos tradicionais como nos canais cibernéticos das "internets" afora. Admira-me esse posicionamento da mulher, referente a questão política envolvendo o tema quanto o papel social e moral exercido pelo sexo feminino em um país historicamente machista. 
   Há quem pré-julgará o texto aqui exposto alegando o fato de que eu, sendo homem, nada possa afirmar ou negar sobre o assunto. Se toda a reflexão acerca de quaisquer temas tivessem de vir revestidos de "especialistas" para analisá-los não se faria uma original abstração do pensamento - grande mérito e propósito do exercício intelectual. Brancos não filosofariam sobre preconceito sofrido por afrodescendentes, ou os homens não teriam uma opinião formada a respeito do  aborto por despossuírem da característica da maternidade. Parece-me tal argumento simplista e pouco conclusivo. A resiliência, o colocar-se no lugar do outro amplia o campo da reflexão de qualquer sujeito sobre o tema a se explanar. 
   Após o parágrafo classificado por mim como parêntesis, sigo a análise destacando existir um movimento feminista/feminino do qual o sexo masculino desconhece ou simplesmente o considera desimportante.  E é sobre o efeito do feminismo a abordagem desse artigo, ainda que a observação do fenômeno em si também seja de capital importância- o que será reservado a outro momento. Pois bem: o feminismo no século XXI no Brasil tem seu apogeu e isso deveria ser notado em primeiro lugar pelo brasileiro de sexo masculino até porque desconheço algum movimento advindo dos próprios homens que questione suas posturas em relação às mulheres, suas aspirações e modelos de conduta necessários a serem abandonados ou pelo menos transformados. 
   Creio que todo homem deveria refletir acerca de seu comportamento diante às mulheres. Falo por experiência própria pois só de certo tempo para cá venho pensando nisso e infelizmente conclui com minhas esparsas reflexões  quanto machismo  tenho em meu comportamento, por um lado,  introjetado por toneladas de propagandas televisivas e todo um arsenal ideológico veiculado pela cultura de massa; e por outro, através de uma própria ideologia da superioridade masculina difundida por séculos na sociedade e pouco refletida, algo quase pertencente ao inconsciente coletivo. Isso requer, todavia, um consciente corretivo, ao menos é o que almejo. 

O ofício do humor pode me trazer algumas surpresas, ora agradáveis, ora o contrário. O Humor é anárquico, livre de posicionamento político, haja visto que se for levado a sério deixa de sê-lo, tornando-se qualquer outra coisa. E em relação ao sexo feminino, atribuo meu machismo de forma concreta muito a literatura que produzi, cartuns e quadrinhos já elaborados tempos idos. E aqui traça-se caminhos paralelos concomitantemente opostos entre o ato e a intenção. Em momento algum desejei divulgar uma postura machista até porque a criatividade é mais parelha do inconsciente em detrimento do lado racional. É como se determinados preconceitos fossem exorcizados ao realizar minha Arte, ou mesmo ao redigir um texto explicitando certo sentimento sexista ou machista, salvo  da real intenção de provocá-lo. E isso pode ser ruim, mas na verdade é uma faca de dois gumes. Por um lado, o pecado do "machismo" é exorcizado ao participar da arte, mas após a mesma ter sua divulgação, tais conteúdos poderão ser absorvidos por uma grande parcela de homens que a princípio rirão das piadas e futuramente irão transferir a anedota ao seu inconsciente e com isso, a longo prazo, elevá-la a um patamar de verdade absoluta. Eis aí uma das responsabilidades do artista. Entretanto, tal raciocínio também carrega relativa carga simplista pois deposita toda a suposta culpa da ação irrefletida sempre ao produtor de conteúdo cultural e nunca ao seu interlocutor. Destarte, posso até pensar duas vezes antes de desenhar algo e tachá-lo de machista ou politicamente incorreto, mas o veredito final cabe ao consumidor da Arte.
   Assim, ao término do livro de crônicas ou do gibi, a vida é real. E foi consumindo Arte que me deparei com a situação do machismo e suas consequências. Estávamos em três amigos trabalhando quando um deles acionou uma página na internet e começou a ouvir a música "Bete Morreu" de uma banda de Rock chamada Camisa de Vênus. Mal chegou o refrão da canção e o outro colega advertiu ao primeiro que desligasse aquela música pois se tratava a letra de conteúdo machista. Eu não me privei de comentar e opinei alegando haver um equívoco e que era necessário se ater ao momento histórico-social em que a canção fora lançada no mercado etc. E para aqueles que desconhecem tal melodia, segue abaixo a letra da mesma, elaborada pela já citada banda de Rock vinda da Bahia, tendo como antepassado Gregório de Matos, vulgo Boca do Inferno :


Bete Morreu 
   ( Camisa de Vênus ) 

Bete tão bonita, gostosa
Bete era o tesão da escola 
Sempre na coluna social 
Exibindo o seu sorriso banal 
Todos queriam Bete 
Desejavam Bete
Sonhavam com Bete
Mas ela nem ligava 
Um dia ela saiu de casa 
Mas ao dobrar a esquina 
Foi empurrada dentro de um carro 
Prá deixar de ser menina 
Amordaçaram Bete 
Espancaram Bete 
Violentaram Bete 
Ela nem se mexeu 
Bete morreu 
Bete morreu 
Seu corpo foi encontrado 
Por um chofer de caminhão 
E agora está apodrecendo 
Lá dentro de um caixão 
Amordaçaram Bete 
Espancaram Bete 
Violentaram Bete
Ela nem se mexeu 
Bete morreu 
Bete morreu 
Bete, Bete morreu 
Bete, Bete morreu 
Bete, Bete morreu 
   
Bete Morreu foi lançada em LP no longínquo ano de 1983 em um disco contendo ao menos quatro faixas proibidas a sua execução pública - ou seja, poderia ter muito mais "machismo" e "sexismo" ainda. Enfim, vamos a Bete: 
   Segundo a letra da canção trata-se de uma jovem mulher da alta sociedade a se vangloriar ao máximo  de sua beleza física mas nega a companhia de qualquer homem, chegando a esnobar a todos. Sua soberba acarreta a revolta de um determinado grupo que para vingar-se a estupram e a matam; Na outra estrofe o autor diz que o corpo de Bete foi encontrado por um caminhoneiro e agora está apodrecendo num caixão. Diante disso pode-se partir de duas análises e citarei a menos óbvia. Bete era economicamente rica e isso lhe proporcionava status na sociedade. Mas essa vida de opulência sem trabalho provocava  ociosidade e por consequência um vazio que Bete intenta preencher considerando outros valores como superestimar sua beleza, o que colabora sobremaneira em sua alienação ao mundo real eivado de violência e inveja. Este último sentimento é amplificado graças ao poderio econômico da personagem que não "transa" com ninguém mas "fodia" a maioria dos homens que seguindo o senso comum qualifica o rico como usurpador, quase sempre responsável pela pobreza alheia. A ostentação de Bete não a faz perceber o risco oriundo desse comportamento. Tem-se aí uma alegoria sobre o que representa a beleza exterior, a fama e o que tais valores quando exaustivamente propagandeados pode ocasionar em uma sociedade violenta. A crítica pode estar muito mais atrelada a uma questão até de luta de classes e a opulência vivida pela personagem provocando inveja em detrimento daquele que nada tem, nem dinheiro e nem sexo. Os homens viam em Bete um objeto e ela mesma se posicionava como tal. Não é a toa que ao final da canção ela aparece apodrecendo num caixão, como se fosse uma fruta podre ou algo meramente descartável. 
A outra análise fica no âmbito de um suposto machismo que superficialmente parece mais óbvia. No entanto, é preciso analisar com maior profundidade a letra. 
   E mesmo que depois dessa análise razoável da letra do rock ainda houver uma incerteza ao conteúdo ser depreciativo à mulher, considere-se  aqui que não sou a favor de que nenhum homem saia por aí estuprando deliberadamente ninguém. Trata-se apenas de uma música e deve-se dessa forma  atribuir sua verdadeira importância ao entretenimento e não mais que isso. 
   Após terminado o trabalho e a discussão com  meus amigos,  tomei um ônibus e fui para casa. No caminho decidi beber uma cerveja e parei num bar. Num balcão próximo a mim, dois rapazes conversavam e eu nem estava prestando muita atenção na conversa quando um deles soltou a pérola de que estava "pegando" uma tal Mariazinha. Foi aí que eu percebi o regresso do Homem  há mais de quinhentos mil anos quando esse homem batia com a clava na cabeça da mulher para que essa se apaixonasse. Juro que quase entrei na conversa. Respirei fundo e sorvi mais um gole da cerveja que tem como propaganda um comercial veiculado na TV em que uma loira com seios fartos segura uma garrafa dessa cerveja e oferece a um sujeito, propaganda que une os seios da mulher ao "mamar". Não poderia ser mais grotesco para o mundo que nos cerca...
    O homem ter consciência dessas situações e refletir sobre seu papel na sociedade e no trato com as mulheres é apenas a ponta do iceberg, muito mais fundo e gelado do que Betes e Mariazinhas aqui citadas. Muito mais profundo do que esse meu texto introdutório. É necessário querer enxergar essas posturas, fazer a crítica e a auto-crítica. Ainda há tempo para o sexo masculino deixar de ser o pithecanthropus erectus e se tornar homem de verdade. 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

As Sombras da Vida


AS SOMBRAS DA VIDA



   As Sombras da Vida é uma história em quadrinhos de Maurício de Sousa baseado na "Alegoria da Caverna" um pequeno texto que aparece no Livro VII de A República de Platão, escrita no século IV a.C. Gibi também é cultura!
   Eis aí uma adaptação da história em quadrinhos, com a narração feita por mim mesmo!

   

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Um Toque no Rock


Um Toque no Rock

 É inegável a influência que as redes sociais exercem sobre a sociedade pós-moderna, para o bem ou para o mal. Faz-se amigos de um momento para o outro, divide-se intimidades com antípodas e descobre-se pessoas com predileções e antipatias semelhantes a sua. É assim com quase todos os usuários das redes virtuais, mundo do qual também dedico um tempo.
   No entanto, o mesmo universo que liberta pode escravizar e acirrar preconceitos, reforçar estigmas e até provocar inimizades, ao menos via computador, muito embora a grande maioria utilitária do serviço citado não o faz exatamente para tal propósito. 
   Pois bem: eu sou um fã de Rock. E o que é um fã senão indivíduo interessado por determinado assunto a ponto de querer saber mais sobre ele em comparação a maioria? Sou um fã de Rock estudante do assunto, exploratório do repertório dos músicos, interessado nas traduções das letras, de ideias e ideais por trás dos textos das canções, hábitos quiçá herdados de minha natureza professoral, onde a didática está par i passu  com as verdades históricas e suas múltiplas interpretações. E nesse desejo de adquirir maiores conhecimentos acerca do assunto supracitado, enveredei nos diversos grupos de discussão do tema, tando objetivando coletar informações para ampliar meus horizontes musicais quanto transferir a outrem alguma matéria considerada por mim auspiciosa. 

   Dentre algumas comunidades onde me inscrevi, tinha uma em especial de quantidade por demais considerável de membros, o que me atraiu em primeiro momento. Tão logo aceitaram meu pedido de inclusão comecei a postar vídeos e fotografias relacionados  ao tema, disponibilizava enquetes e áudios sobre Rock. Postava essa miscelânea de conteúdo com religiosa constância, até que um belo dia notei ter sido excluído da comunidade. No instante fiquei realmente chateado, magoado. Poderiam ao menos me avisar, já que enquanto fazia parte da página virtual eu tinha ais de vinte mil amigos...
   Após o incidente, decidi prosseguir em outras comunidades ser relatar o ocorrido, mas já visualizando com maior pragmatismo o Rock, seus fãs e as letras das canções, o que me levou a conclusões bem decepcionantes com o público médio amantes do estilo musical. Público este que à rigor se considera de inteligência superior a quem escuta outro tipo de música e que superestima o Rock sem fazer uma análise menos apaixonada. Como tal público considera tanto sua música séria,decidi  construir aqui um breve contraponto observando tal ritmo musical com o  mesmo grau de seriedade atribuído pelos admiradores. Relutei consideravelmente para publicar esse texto mas um cego fã de Rock considero-me um pesquisador, um quase cientista, atestando que o objeto de estudo deve ser esmiuçado com menor nível de subjetividade possível. E foi o que intentei fazer, embora não usei de estatísticas em registros, apenas me fiz valer de uns trinta anos de contato e observação com tal universo, de modo que esse tempo deva valer para alguma coisa.
   Das dezenas de páginas e comunidades de curtidores de Rock é unânime que seus membros afirmem detestarem o Funk Carioca, ritmo de bastante sucesso na atualidade no Brasil. O roqueiro médio alega ser tal estilo "lascivo" para não dizer explorador das sexualidade de forma inadequada e apelativa e que suas letras a luxúria e o desejo de ostentação por roupas, jóias e automóveis de alto valor são assuntos correntes e capitais.E ainda que é uma música utilizada para mexer a bunda e não o cérebro. Ok, tudo isso é válido, mas como era o Rock nos anos do "and Roll"?
   Nos primórdios da década de 1950 a música que os afro americanos cantavam e tocavam era chamada de Rhythm and Blues ( R&B), um primo aproximadíssimo daquilo que viria a ser Rock'n'Roll. Aliás, tão próximo que muitos já o consideravam Rock. Embora o ritmo fosse pulsante havia alguns "probleminhas" que impediam que a música no início tivesse uma penetração no mercado fonográfico primeiro porque os intérpretes eram negros cantando num país ainda bem arraigado na tradição Wasp. Segundo, o conteúdo das letras: a própria expressão Rock'n'Roll significava prática sexual. É importante se considerar o quadro socioeconômico norte americano em tempo. Os Estados Unidos, vencedores da Segunda Guerra passavam pelo Baby Boom, a geração da pungência econômica onde as pessoas mantinham seus capitais  sobre controle com a esperança de se investir em outros produtos e diversões. Tais períodos de riqueza econômica favorece também à ociosidade e por tabela a um relativo hedonismo, refletido nas letras do Rock em seu primeiro momento. Havia desejo pelos grandes veículos automotivos ( Chuck Berry com Maybellene,  The Motorclycle Man, Floyd Robinson ); a paquera das "novinhas" ( Sweet Little Sixteen,  Chuck Berry ), sonhos de guitarras, jóias e roupas caras. E tudo isso regado com músicas que faziam chacoalhar braços, pernas e bunda como a inocente Tutti Frutti.  
   Agora, com uma guinada de 180 graus chegamos ao Brasil no século XXI nas décadas de 2000 e 2010 onde um desenvolvimento socioeconômico beneficiou sobremaneira as classes menos favorecidas ( C e D ) que passaram a ter mais dinheiro e por conseguinte , o poder de reinventar sua juventude, produzindo e consumindo seu próprio estilo de vida embalado nas canções produzidas por eles mesmos: o Funk Carioca, de temática da ostentação de automóveis de luxo, obtenção de jóias e roupas caras, a conquista de mulheres de pouca idade e um forte apelo a sexualidade, argumentos estes iguaizinhos aos citados n Rock produzido nos idos de 1950... "Ah! Mas isso é exagero!", pensará alguém aí. Talvez... o fato é que o Rock só emplacou na sociedade norte americana de forma homogênea quando Elvis Presley que era loiro, branco, bonito aos padrões consideráveis e que ainda cantava e dançava como um negro aderiu ao estilo. Era o que a sociedade Wasp necessitava para agregar o ritmo em definitivo. É claro que os intérpretes negros prosseguiram com suas carreiras, bem verdade em menor sucesso frente a esmagadora presença de Elvis the Pelvis. 
   Mas o Rock também amadureceu. E o seu momento de apogeu onde tornou-se arma de contestação social dos valores morias e instrumento de questionamento da política e seus líderes ocorreu na década de 1960. Ressalta-se que houveram revoluções sociais nas quais a bandeira hasteada era o Rock mas esse momento único na história do Rock ficou sedimentado  e perdido naquela década, ainda assim com ressalvas. Até o maior fenômeno musical da cultura Ocidental do século XX, os Beatles, só começaram a ter uma postura mais politizada na segunda metade da década no tocante as letras das canções. Sim, refiro-me ao texto, haja vista que musicalmente o quarteto desenvolveu técnicas de melodia, harmonia e instrumentação superadas a cada LP lançado. Importante salientar: tanto Europa e principalmente nos Estados Unidos a repressão sexual estava ainda muito em voga. E,  algumas atitudes morais que eram revolucionárias naquele tempo hoje são meramente pueris, como o homem deixar o cabelos compridos era um gesto transgressor sem precedente. 
 
 E mesmo com uma campanha quanto ao término da segregação racial, como os Beatles não se apresentarem em lugares com tais legislações, o Rock não refletiu esses objetivos com seus nomes em destaque, excetuando um ou outro músico. E foi percebendo que o negro perdera espaço dentro daquilo por ele mesmo inventado que Berry Gordy decidiu abrir uma gravadora  só com  artistas negros  -a Motown , desprovida é bem verdade de uma preocupação social ou racial mais radical, objetivava sobretudo ganhar dinheiro a princípio e foi bem sucedido nessa empreitada. Alguns anos adiante, estoura o movimento Black Power e com ele diversos cantores negros com temáticas politizadas à etnia como James Borwn e Ottis Redding, reforçando mais uma vez a grande criatividade do afro americano que saía do Rock mas reavivava a Soul Music, o Funk, o Reggae e até futuramente a Disco.
 
 Outro ponto fundamental para compreender o Rock e saber onde ele chegou são as drogas. Na década de 1960 nos Estados Unidos era comum usá-las como se fossem chicletes. Há quem  as considerava responsáveis por expandir a mente, e de certa forma era o que realmente ocorria, e isso recaiu no Rock e maneira ímpar pois o ritmo jamais foi o mesmo. Dessas viagens desenvolveu-se vários outros subgêneros do Rock com destaque para dois: O Heavy Metal e o Rock Progressivo. 
   De todos os subgêneros surgidos no Rock o Heavy Metal é sem dúvida o que agrega o público mais intransigente e reacionário. Para o fã de Heavy Metal nada é melhor do que sua própria música e quase nunca o ouvinte deseja ouvir algo que não se assemelhe ao que seu ouvido já escutou. A aceleração utilizada pelo guitarrista em seu instrumento é sinônimo de técnica e qualidade sonora. Um adendo: no velho mundo valores tradicionais das religiões foram integrados há mais de mil anos, bem como todo um mar de hipocrisia e corrupção advindo deles. Daí o curtidor de Metal ser contrário às religiões, ateu ou satanista -  ( eis aí seu papel social ) -  e faz dessa postura elementos nas letras das canções. 
   A outra grande falácia repetida ad nauseam no meio da comunidade rocker  é que o Rock é liberdade. Mas para quem? Quase sempre o rocker faz uso dessa frase para reproduzir posturas relacionadas a um estado opressor numa sociedade competidora onde ter uma motocicleta milionária e participar de um clube, beber muita cerveja importada e comportar-se com misoginia é o padrão de liberdade desse sujeito. Não é à toa que em países de "cultura fechada" tentou-se por muito tempo proibir a difusão do Rock, não pel ritmo mas pelos valores a ele agregados. Reconheço que a sonoridade produzida no Rock, Hard ou Heavy Metal e outros subgêneros traga algo sensorial de liberdade. mas dizer que essa música é mais intelectualizada que outras por ter mais mensagem não convém.  Bandas como Led Zeppelin e AC/DC tem instrumentação e vocais poderosos, porém as letras de suas canções são triviais, quando não falam de bebidas, estrada, mulheres - a liberdade já citada. 
 
 Há os apreciadores de outro subgênero do Rock conhecido como Progressivo. Produzido por quem realmente "entende" de música, ou seja, alunos que vêm de conservatórios musicais que lêm partituras, que tem reconhecimento de música erudita, sobretudo dinheiro para bancar tudo isso. O apreciador de Rock Progressivo é quase um autista, um Robinson Crusoé na ilha de Yes, Genesis, Emerson Lake & Palmer e quejandos. Presta tanta atenção nos acordes que não pode sequer pular num show de Rock. A música é elevada ao estato de quase Jazz, com a fundamental diferença: nenhum negro está na banda. Em suma: música para músicos. 
   E por fim, o Punk. Falo "por fim" porque creio que tudo do Rock vindo após esse subgênero não passou de perfumaria. Sei da importância de outros ritmos agregados e reinventados mas Punk foi a quebra dos paradigmas e encerrando com ele tem-se uma visão panorâmica do que o Rock foi e o que se tornou. Dentre os subgêneros o Punk foi o que melhor representou o retorno às origens do ritmo no tocante a estética da dança e num  contraponto em transmitir mensagens de contestação social, algo que se perdeu no Rock desde há muito tempo. Se o Rock é rebeldia, contestação, crítica de valores, negação do que está estabelecido, alertas em letras, vestimenta e visual, o Punk soube sintetizar isso de maneira ímpar: o retorno da rebeldia juvenil em dança ( Ramones ) , indumentária ( Sex Pistols ) e letras de conteúdo ( The Clash ). Há quem nunca gostou de Punk dada a regressão na maneira de tocar, bem rudimentar em comparado `s bandas de Progressivo e com a utilização de muito menos notas que os "metaleiros". 
Diante do exposto e do que mais poderia ter sido relatado é que o Rock pode ser contestação ou alienação; música de bunda e/ou cérebro. Pode ser erudito sem ser pedante e se for liberdade é possível se valer de reflexão, de crítica, de autocrítica, como aqui nesse breve texto. Mas antes de tudo o Rock é música. Se se quer levá-lo a sério poderá se tornar outra coisa. Fica a dica aos intelectuóides roqueiros e as futuras gerações. Com preguiça não se lê livros mas a música é diversão em primeiro lugar. 

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Pretinho Básico


   Em 20 de novembro comemora-se o dia da Consciência Negra. Tal efeméride refere-se ao assassinato de Zumbi dos Palmares. E, embora a data possa ser controversa e mesmo muitos questionarem a real  existência do herói negro, o fato é a reflexão que a data sugere.
   Pois bem, verdade seja dita: há muito racismo no Brasil sim, em várias esferas, de diferentes espécies, tipos e estirpes. Desde cedo sempre ouvi que aqui não há preconceito racial e sim social. Eis aí mais uma falácia para escamotear o primeiro em detrimento do segundo. Há um discurso de que no Brasil não há preconceito de cor com negros "ricos". Ok, diga-me onde eles estão... Aí sempre aparece alguém que cita no máximo três nomes de negros em postos de destaque e comando aqui nessa Pindorama. Não é preciso ser nenhum matemático para saber que há uma disparidade nesses números, não por incompetência da raça, mas pelo histórico que levou os afrodescendentes a esse quadro. 
   Não sou de me vitimizar, entretanto desacredito em salvação individual, mito embora essa seja a bandeira hasteada na pós-modernidade. Para provar a existência de que o preconceito racial ainda é uma constante em terra brasillis vou descartar dados e estatísticas aqui, partirei da observação empírica,  de situações cotidianas as quais vivi e ainda vivo literalmente na pele. Como tais episódios são frequentes, vou citar nesse texto apenas um, abrindo a possibilidade de quiçá lançar uma série de relatos posteriores haja vista que a intenção é não apagar a chama e sim denunciar tais situações, ora engraçadas, ora constrangedoras. Quero com isso reforçar a existência do preconceito de cor que eu conheço de cor e mostrar com isso que o progresso de uma sociedade se inicia a partir do momento em que tal sociedade reconhece e assume suas fragilidades.
   Fui convidado para um casamento com minha esposa e participamos do matrimônio, tanto na igreja quanto na festa ocorrida depois. Tudo caprichosamente organizado, ambiente luxuoso, comida e bebida muito boas, e tal e coisa... Os noivos, oriundos de classe média, descendentes de europeus - ( a noiva  tinha sobrenome de artista famoso )  - estavam visivelmente emocionados e felizes com suas famílias e amigos e nós também. 
   Tão logo, meu olho clínico passou a observar detalhadamente o ambiente: havia aproximadamente ali uns trezentos convidados e excetuando algumas pessoas que trabalhavam na festa, os afrodescendentes da festa somavam-se cinco incluindo minha mulher, um casal de amigos nossos que estavam sentados em nossa mesa e eu. Entreolhei meus amigos e não pude deixar de comentar com eles a curiosidade: "Só tem gente branca aqui!", algo natural dada a origem das famílias dos noivos. Mesmo os colegas de trabalho também tinham a pele clara. Minha esposa,  o casal de amigos e eu fazíamos parte das "cotas". Gargalhamos e continuamos comendo e bebendo sem maiores preocupações. 
   Um parêntesis antes de prosseguir a narrativa: quando vou a esses eventos sociais costumo caprichar no vestuário- terno e gravata alinhados e novos, sapatos lustrosos, cabelo e barba extremamente bem cortados, perfume discreto e movimentos idem, mantenho-me "acima de qualquer suspeita".
   A certa altura - do tempo e da cerveja - fui ao toalete e lá chegando, um homem puxou conversa perguntando se eu era parente dos noivos. "Não". Falei que fui convidado com minha esposa. mas o homem mal me ouviu e veio com outra questão à queima roupa: "você trabalha aqui? " Eu fiquei descreditado no que ouvi e só pude responder monossilabicamente "não". Ele até continuou a conversa em seguida mas eu nem sequer entendi ois ainda estava anestesiado com a inquirição anterior. E olha que nem estava de camisa preta por debaixo do terno para ser confundido com um segurança! Saí do banheiro menos aliviado do que quando entrei. Sentei na mesa e após aluns minutos não me furtei de comentar o ocorrido, no que meu amigo completou: "Ah! Eu acompanhei a conversa pois estava no banheiro reservado, só não sabia que era você." Achei que o cidadão que me fez as perguntas estava bêbado. E se não estivesse, seria seu álibi, caso eu fosse refutar sua infeliz pergunta. 
   Diante da historinha fica a moral: o fim do preconceito é uma utopia, mas de utopia se faz a vida. Cada qual tem o direito de ter suas concepções acerca de quaisquer assuntos, para o bem ou para o mal. Por conseguinte, cada indivíduo tem o dever de respeitar a diversidade e pluralidade cultural, de gênero, de raça, etnia, cor, credo e opiniões e isso deve ser garantido. E se não houver um acordo de cavalheiros a Lei está aí para que tais direitos sejam efetivados. E tenho dito/escrito!

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Drops Rock 75 - O Rock Tá Russo

No 75° programa Drops Rock apresentamos o que foi o Rock na antiga União Soviética. Ressalta-se aqui que não foi feita nenhuma citação a bandas locais, e sim um levantamento de como o rock, gênero musical tipicamente norte-americano, atravessou a cortina de ferro. Com todo o aparato tecnológico da atualidade, cheg a ser engraçado imaginar que os soviéticos ouviam discos copiados em chapas de raio x! Confira mais um programa!






God Save the Trump´s People


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Beatlemania Experience



Exposição sobre os músicos mais bem sucedidos, afinados, famosos e penteados do século XX. Acertaram em quase tudo o que fizeram. As imagens permanecem vivas para que daqui há alguns séculos ( ou talvez anos ) as pessoas possam saber da força que existiu um dia na canção Pop.