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drops rock
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
terça-feira, 30 de setembro de 2014
Conto de F...da
Toda malícia
resume-se, camufla-se atrás do olhar inocente. Noutras vezes um jeito
desleixado e politicamente incorreto no trato às mulheres pode conter no íntimo
uma timidez singular. Reconheço: nunca fui santo. Com as artimanhas dos
adolescentes conhecidos mais pervertidos fui crescendo. Fiquei corpulento e
desajeitado. O volume na calça jeans fazia-me corar. Verdadeira aflição lidar
com a mudança. Mas mudava. Pensamentos sensuais resultado no lençol. A mãe
fazia vista grossa. E o tempo embora indo. Ampulheta por ampulheta. E
passaram-se meus quinze anos. Cheguei aos vinte e hoje quase vinte e cinco. Sou
homem feito ou desfeito em alguns assuntos.
A incompreensão embriaga-me alguns momentos. Como pude passar tanto
tempo sem arrastar uma mulher? E arrastar é burlir, invadir a intimidade de uma
fêmea. Não finjo ou forjo desculpas. Casa pequena, poucos namoros ou namoros
curtos, escassas farras somado ao to de deboche de minhas atitudes. Talvez o
jeito com que me expresse verbalmente. Às vezes brincalhão ao excesso, noutras
taciturno e responsável. Preciso atingir o meio termo antes que meu extremo
atinja o meio. O desejo da transa me queima, arde-me e é tão normal! Creio que
todos os homens “normais” sintam isso, mas sei ainda que esses mesmos homens
conseguem saciar suas vontades. Não podia sufocar-me com tal sigilo. Desabafei
com meu melhor amigo. Aliás concluí que queria porque queria ter uma relação
íntima com uma garota . Minha virgindade já era assunto entre os mais
conhecidos para meu desalento.
E foi cansado de ficar na mão – e ficar na mão
aqui em sentido ambíguo- que conheci Júlia numa festa, dessas festas
quaisqeres. Bêbada como não deixava de serem as degeneradas. Embora seu hálito estivesse
degradante mantinha uma beleza especial. Reparei seu corpo, muito gostoso por
sinal. Uns seios robustos e convidativos. Pernas que quiçá andaram por muitos
matagais por aí, imaginei. Como sou maldoso! Mas quem não seria?
Conversa muita, ação
nenhuma. Ainda assim tentei a sorte andando rumo norte. Foi em vão. Xinguei um
palavrão. No dia seguinte, mesmo sem
questionar acabei recebendo as más novas da forasteira. Viera de outro estado,
mora de favores na casa de uma parenta. Saíra
de sua cidade natal por má conduta emocional, ou antes, sexual. Pertencia ao
rol das "desajustadas”. Se alguém a desejasse não o seria por todo o sempre.
Ah, como eu fora tolo. Ainda titubeei algum escrúpulo da parte daquela vaca!...
Perdão, o pobre animal não merece tamanho rebaixamento moral para a sua
espécie.
No fundo, no fundo,
talvez meu sentimento fosse uma flamejante inveja incendiando meu peito. Como pode
uma jovenzinha - sim, porque Júlia só tinha quinze anos – ter todos esses
incidentes eróticos sendo uma mulher interiorana enquanto eu, um macho e adulto com cara de mau e cheio de cicratizes
não ter deitado com uma prostituta que fosse?!
Mas aí estava a
questão do escrúpulo. Jamais eu me deitaria com uma mulher da vida. O fato de
pagar para ter uma ejaculação parecia-me um apelo muito ridículo. Só de pensar
não sentia tesão. Por outro lado, qualquer puta me interessava, desde que me
desse com todo prazer, sem os apelos financeiros encontrados na moderna mas lodosa
sociedade capitalista.
Quando soube da
novidade, da liberdade libidinosa de Júlia alcei minhas sobrancelhas. Dessa vez
essa não iria escapar. Estudando minha árvore ginecológica Marina ficou com
aquele chato na viagem à casa de praia. No acampamento segurei vela de muita
gente, ou melhor, segurei lampião. Virgínia entrou para o convento e a Rita
levou meu sorriso quando morreu por causa de problemas cardíacos. Na fazenda,
nas férias, jamais em sã consciência usaria as cabras do avô para saciar meus instintos
animalescos como faziam meus primos de lá de longe. O diabo é que até
homossexual me ofereceu! Mas não era nada disso, o lance era mulher – fosse ela
esquálida ou balofa , ruiva ou sarará, sei lá... Eu queria, precisava, necessitava, urgenciava
uma mamífera da espécie homo sapiens para jorrar o meu leite e Júlia parecia
ser a presa certa.
Ao contar meu desejo
a um de meus colegas foi ele mesmo quem me falou:
_ah, a Júlia? Ah, já
comi. Ela quis me dar e foi em casa mesmo. Nossa!Como é macia!...
Quase molhei a
cueca. Suei-me. Só de pensar sentir meus dedos perseguindo cada curva
voluptuosa daquela forma. Entretanto, com algo eu não contava. Este meu amigo
dias idos desentendera-se com a moça. Antes porem dissera que eu queria ficar
com ela. Na hora Júlia até se interessou só que depois da discussão de ambos
ela decidiu voltar atrás pois isso de ficar comigo representaria consentir com
seu não mais amigo. Mesmo assim fui teimoso. Saímos uma noite dessas de céu límpido
a caminho de uma pizzaria afinal mesmo não ocorrendo nada ao menos tudo
acabaria em pizza. Estávamos em turma até o momento de nos deixarem sozinhos
dentro do carro. Assim o teatro abriu as cortinas. Investia com palavras, ela
negava. Investia com gestos, ela olhava para fora. Investia com toques em sua
pele, ela repelia. Investia finalmente com um beijo roubado, ela me fez
desistir com uma tapa.
_Ai!
_Machucou?
_Ainda não.
_Você será capaz de
tentar continuar?
Eu me esquecera de
dizer a ela que para evitar o estupro era necessário somente dizer “sim”. Meu
amigo, esse outro, dono do carro, já sabia de minhas intenções com Júlia e me
apoiava. Tanto que resolveu dirigir para uma estrada deserta e sem luz, às
desoras da noite. Captei reação alguma
de Júlia, parecia até que gozava com aquilo. Até que meu amigo deu ré e
retornamos para casa...
Na noite anterior
nada dera certo. Nada dera. Nem Júlia dera. As madrugadas vindouras
mostraram-se difíceis para mim. Andava obcecado. Queria Júlia da maneira que
fosse. Absurdo todos ali terem-na nos braços e sentirem sua volúpia menos eu. Tal
situação trazia inconformismo. Pensava
em pegá-la à força. Dado momento me relampeou um truque. Seria mesmo à força.
Involuntariamente...
Todos sabiam da
ninfomania daquela garota daí concluí que qualquer homem transaria com ela, até
meu melhor amigo, bastava convencê-lo de aceitar chamá-la pra um motel ela
aceitaria sem sombra de dúvida. E onde eu entraria nessa história? Ora... No
banco de trás do carro...
Muita trepidação na
estrada de terra, principalmente é sensível às lombadas quando se viaja debaixo
do banco traseiro de um fusca. Que situação desconfortável. Foi por pouco
tempo. Mas eu suei, me amassei, peidei, enfim, foi duro. Meu amigo desceu do
carro junto à Júlia que já lambia os beiços, não por se tratar daquele cara mas
pelo glamour de ir num motel pois jamais visitara um em sua cidade. Lá os
meninos chamam de “matel” por ser mesmo no mato.
Meu amigo se
recusava a deitar com a moça. Ele simplesmente apagaria a luz do quarto e me chamaria.
Depois do fato consumado acenderíamos os holofotes e o riso tomaria conta do
recinto. Minha vingança estaria tomada. Aquela vadia não era mulher de copular
para esse meu amigo que já era muito experiente, apenas se divertia com tudo aquilo.
Dizia que não valia a pena se envolver com um espírito tão inferior como o da
estirpe de Júlia. Eu pensava em tudo isso minutos antes de descer do carro. Aquela
seria a minha primeira relação sexual, ao mesmo tempo porque considerar um
acontecimento tão célebre e escolher uma criatura deveras inútil e desprezível?
Será que eu não estaria exagerando na ânsia de cumprir um papel social que o
mundo me impunha? Era o lado individual e o coletivo zanzando em minha cabeça. Poderia
ser aquela uma experiência traumática para o resto de minha vida. E se os
poréns realmente cruzassem meu destino? E se a vagina daquela adolescente fosse
mesmo macia a ponto de eu confundir desejo com amor e me apegar aquela
messalina?
Caramba! Meuá amigo
estava demorando. Será que com toda aquela demora teria decidido voltar atrás e
metido com ela?
É... Meu amigo
estava realmente se demorando na alcova. Talvez tivesse se esquecido de mim com
tudo aquilo em sua frente. Não, ele não poderia ter me traído, ou pelo menos traído
a minha confiança. Minha paciência no fim. Levantei do carro e caminhei até a
porta. Coloquei meu ouvido próximo à porta do quarto. Aí me veio infeliz
palpite: vozes. Sussurros, gemidos, urros! Não aguentei e abri a porta que meu
amigo deixara sem a tranca. Quando entrei meu amigo esparrachado na cama assistindo
filme pornô.
_Cadê? Cadê a Júlia?
_Quê que cê tá
fazendo aqui, seu panaca? Espera lá fora. Olha, ela tá na sauna, quer ver?
Ele abriu a porta da
sala da hidromassagem e pude ver Júlia através dos espelhos retrovisores das
paredes laterais nadando como um peixinho, mergulhando como um submarino
amarelo, maravilhosa... Mas eu podia ficar apenas admirando aquele corpo moreno
sem poder fazer uma massagem de onze dedos sequer!
_ Tá demorando por
quê? – inquiri.
_ cara, ela não quer
que eu apague a luz. Ficou impressionada com a decoração do quarto!
_ Idiota! Da próxima
vez vê se procura um motel mais ralé.
_ O papo tá bom mas
é melhor você voltar lá pra fora. Aguenta mais um pouquinho até ela pegar no
sono aí você entra e eu saio.
Então retornei.
E, depois de muito
titubear afinal eu me decidia. Não iria mais fazer aquilo. Meu tesão poderia esperar. O ser humano por
mais instintivo que seja pode controlar suas vontades. Qualquer garota não
valeria a pena. Somente por vaidade? Só porque o mundo inteiro comeu Júlia? Ora,
eu não era o mundo inteiro! Era um homem virgem mas um homem reflexivo, um
filósofo...
Tam! Tam! Tam!
_ E aí? Vâmo? Desce
do carro!
_ Olha, não é por
nada não...
Meu amigo, de
cabelo em pé, desacreditava das minhas palavras. Xingou-me de veado pra baixo. Disse
que se era pra ouvir merda... etc etc etc...
_Ah, vai lá você e
faz com ela.
_ Eu? Eu não!
_Qual o problema?
Ela só é mais uma fêmea para um macho já iniciado, não para mim.
_ mas ela não me
atrai. Já deu pra todo mundo. Tenho até nojo. Pegar uma doença venérea? Eu,
hein!
Agora quem
desacreditava era eu. Enfim, foi o tempo de piscar de olhos ele entrou no
quarto. Uns vinte minutos mais ou menos ele voltou.
_ E aí?
_ Não teve jeito, ela
não quis me entender e saiu pela porta de trás do quarto. Vestiu a calcinha, o
sutiã, a calça, a miniblusa, pegou seus badulaques e foi-se embora. Agora você
pode se sentar no banco da frente do carro à vontade, não precisa ficar
escondido aí no fundão, não...
_ O quê? Sair do
motel com você dentro do fusca? Ora, vá se foder! Eu vou ficar debaixo do banco
mesmo.
Assim ganhamos a
estrada.
Passado aquela
conturbada noite minha vida continuou a mesma. Ainda sou o mesmo homem
malicioso porém virgem e que quer sentir o prazer do sexo.
Meu amigo é que já
não é o mesmo. Júlia, despossuindo qualquer escrúpulo, espalhou aos quatro
cantos que ele a levara no motel mas não soubera o que fazer. Tornou-se bicha
pela boca de alguns malditos...
Verão de 1999
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
Drops Rock 55 - Futebol
Drops Rock 55 mostra a seleção de craques do Rock. Será que o ritmo musical tem alguma coisa a ver com a bola no pé? Olha que isso pode dar samba! A verdade é que se o Brasil é o país do futebol alguém mentiu, entende?
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Drops Rock 54 - Rock Instrumental
Será que todas os rocks precisam ter letra? Será que tem cantor que atrapalha a melodia da música? Pode ser que esse programa não responda essas dúvidas, mas que ele mostra como é bacana um som instrumental mostra!
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Não se Lava as Mãos à Falta de Água
Entretanto, quando
se atenta ao problema da falta de água depara-se sempre a campanhas
governamentais que insistem em cobrar do consumidor comum um uso mais racional
da água lançando mão de campanhas publicitárias no rádio, na televisão, nos
outdoors etc. chegando até o extremo de reajustar as tarifas de água ou de bonificar
ao consumidor que economizou. Sabe-se, por outro lado, que os maiores usuários
desse recurso natural são os latifundiários e as grandes empresas, em destaque
as de papel e celulose. Para se ter uma ideia vinte e sete litros de água são
usados para se fazer uma folha de papel.
Ultimamente tem se
cogitado a possibilidade de despoluir o Rio Tietê e multar todas as indústrias
que depositam seus resíduos no rio. É claro que tudo isso é favorável, porém só
agora em que a escassez se faz preocupante é que as autoridades governamentais
decidem tomar uma atitude emergencial, diferente do que vemos em outros países
no que se refere a desastres naturais onde existe prevenção e a nação consegue
superar tais catástrofes – o Japão é o exemplo mais emblemático dessa
ilustração.
Outro grande entrave
para investimento na obtenção de maiores recursos hídrico é que tais projetos
não são obras que se mostram à vista, não são projetos que “puxam voto”. Investir em saneamento básico é bem menos
visível aos olhos do eleitor do que construir viadutos ou asfaltar ruas. Todos
os anos há na cidade de São Paulo uma série de alagamentos e enchentes com as
mesmas características e as mesmas promessas de resolução.
Diante do exposto, a
solução mais viável é que os governos municipais, estadual e federal invistam
em projetos governamentais que visem à prevenção de desastres naturais, sejam
estes enchentes ou estiagem de chuva, poluição, desmoronamentos de moradias de
alto risco etc. Quando esses problemas saírem da pauta de medidas paliativas
não haverá mais incidentes dessa natureza nem em São Paulo nem em outras
cidades do Brasil.
terça-feira, 26 de agosto de 2014
segunda-feira, 25 de agosto de 2014
Vamos Todos à Bienal do Livro Para não Ler
Iniciou nesse sábado, 23 de agosto
a 23ª Bienal internacional do Livro em São Paulo, lá no Anhembi como todo mundo
sabe. E digo “todo mundo” dada a
multidão que pude acompanhar quando fui ao evento no domingo último. Chega-se a
conclusão de que se o brasileiro não lê pelo menos livro ele compra. Não que eu tenha nada contra a sociedade de
consumo e nem hasteio aqui a bandeira em favor do meio ambiente e das árvores
que são mortas em detrimento da produção de folhas de papel para a confecção de
livros, até porque também sou um ávido consumidor que certamente tem muito mais
livro que não leu em casa do que o contrário.
Na verdade acredito até que a sociedade brasileira lê bem mais hoje do
que há vinte anos. Também aqui não está se levantando a questão da disseminação
de analfabetos, muito porque o analfabetismo funcional vigora para a tristeza geral.
Falo do consumo de Literatura e tal Arte tem o sentido muito mais amplo. A
gente pode falar de Machado de Assis, E. L. James, J.R.R. Tolkien, R. R. Soares
– kkk -, Jô Soares, Shakespeare, Mauricio de Sousa, Cordel e colocar tudo num
mesmo pacote. Mas quando falamos de uma sociedade industrial e de consumo tudo se
torna mercadoria e perfumaria, e com a Literatura não seria diferente.
Livros campeões de vendas geralmente são trilogias, quadrilogias em que
cada tomo nos toma um tremendo tempo para lê-lo pois cada um geralmente é composto
de trezentas páginas. Tudo bem, até reconheço que os romances russos nunca
foram curtos mas são ROMANCES RUSSOS, assim mesmo, em letras garrafais. Os meios de comunicação cibernética, as redes
sociais nos computadores, o hábito de se escrever e receber e-mails, o twiter,
o facebook e os blogs como esse em que esse texto é postado são grandes responsáveis
pela produção escrita de nosso tempo, que por hora pode não ser duradoura,
apaga-se como se deleta os spams, mas daqui a alguns anos será essa literatura
que será objeto de estudo de nossa língua e de nossa produção artística do
idioma.
Por outro lado admiro a juventude que vê
no escritor um pop star e o cultuam como se assim o fosse.
Hoje Mauricio de
Sousa e Ziraldo representam muito mais a infância e juventude do que Monteiro
Lobato, o que é louvável pois tem criança que mal sabe o que é uma galinha, o
que dirá de um sítio. O problema é quando as personalidades do mundo da moda ou
da música por exemplo se apropriam do mundo das letras e lançam livros e se
dizem filósofos. Quando me deparei com a multidão seguindo o cantor de Funk
Melody chamado Naldo Benny me perguntei o que o mesmo estava fazendo ali na bienal e se a mesma estava inovando com shows de música. Não era nada disso. Naldo lançava um livro que disseram que ele mesmo escrevera. É importante defender o direito de ele e de qualquer um escrever um livro mas é mais importante ainda frisar que isso não faz da celebridade sinônimo de filosofia a colocarmos no mesmo panteão de Marilena Chauí ou Mário Sérgio Cortella só para citar algum exemplo.
No mais fica a dica de que a
Bienal é um espaço muito mais dedicado à venda de livros do que a promulgação
de debates, na minha estreita visão. Mesmo os livros vendidos lá não estão com
descontos em relação aos mesmos que são encontrados pelas livrarias afora. Em
suma a Bienal é uma feira de livros onde todas as editoras fazem a festa com a
diferença de que lá você pode encontar o escritor de quem você é fã, aguardar
numa fila quilométrica mais ou menos duas horas, receber seu livro autografado
e até falara de Literatura...
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
Quase uma Lição
Entro pela sala de
aula pela primeira vez e ainda que nunca tenha pisado os pés na escola pública
para lecionar já trago comigo relatos de profissionais do ramo nada agradáveis
no tocante ao aprendizado dos alunos e sobretudo pela indisciplina dos mesmos.
Mas eu estava ali pela crença em minha capacidade de persuasão, pelo pendor em
tentar ensinar alguma coisa, ainda que como professor substituto. E todo oi
conteúdo que intentava lecionar já estava ensaiado em minha mente e resguardado
em meu coração. Iria ser uma aula de acolhimento e de reconhecimento da
importância de cada aluno que ali buscava aprender e porque não ensinar?
Mas não foi nada
disso que aconteceu. Botei meus pés na sala e uma avalanche de barulho infestou
meus ouvidos. Tinha aluno escutando música no celular sem os devidos fones,
alunos conectados em redes sociais, alunos batucando pagode com as carteiras e
até teve aluno me percebeu que eu estava na sala de aula. Tentei manter uma
espécie de conversa com eles. No primeiro momento foi em vão. E em vão foi no
segundo, no terceiro. Decidi me emudecer até que eles se envergonhassem o que
funcionou. Diante daquele quadro resolvi alterar todo o discurso que ensaiara. Perguntei
a eles se o professor também é educador no que a maioria que entendeu a
indagação assentiu positivamente para que em seguida eu dissesse que não.
O professor tem como
dever lecionar o conteúdo acadêmico pertinente a grade curricular da respectiva
série em que está lotado. É cine qua non
a postura educacional do professor, ou seja, só o fato de o professor lecionar
é mais do que um ato de educação. Mas existem professores educadores também,
são aqueles que além de lecionar nas escolas de educação infantil trocam
fraldas das criancinhas que estão na creche e ensina os pequenos a fazer xixi e
coisas correlatas.
Com isso deixei claro de que não estava ali na
sala de aula para ensinar noções de como alguém deve se comportar, noções de
modos e educação e que não me indisporia com eles por razões de indisciplina e
desrespeito. E prossegui com a matéria escolar em meio a muita bagunça e grande
desinteresse. Naquele mar de gente sempre tem aquele que realmente se interessa
em aprender e aí eu reconheço quão a porta do céu é estreita.
Terminada a aula vou
à sala dos professores quiçá buscar alento, sentir-me um pouco mais humano dado
à familiaridade dos colegas de profissão com os mesmos impasses. Sinto-me
invisível na sala. Esboço cumprimentar um mestre da educação e aí me deparo com
o paradoxo pois o sujeito pode ser “mestre” mas a educação passou a largo.
Volto meus olhos aos exercícios dos alunos mas os ouvidos buscam as conversas
do ambiente: o automóvel novo que se comprou, a academia (que não a de letras)
, o fim de semana, o reajuste salarial, o acúmulo de cargos... Só não ouço
falar de Educação, de metodologias de ensino, de um interesse no real exercício
da função. Preferi então me manter invisível, enfiar a cabeça nos livros e não
pensar em quem não quer pensar.
Hoje repenso a
situação quando assisto aos noticiosos que mostram a Educação Pública péssima.
Quem a Faz assim? Nem posso discutir com
a categoria pois a mesma está muito mais preocupada com outros valore$.
Quem disse que
professor não tem que aprender está mui enganado. Tenho tido lições
diariamente: lições de descortesia, de desunião e egoísmo num patamar que beira
o insuportável. Se eu não sei bem o que fazer não é de quem sabe que eu obtenho
respostas. Nem dinheiro e nem calma fazem parte de minha rotina. Ainda assim
acredito que a Educação e o Estudo é o caminho, mesmo que para muitos esse caminho
não leve a lugar nenhum...
terça-feira, 19 de agosto de 2014
As Boas do Sant'Anna - um blog especializado em generalidades: No Coletivo
As Boas do Sant'Anna - um blog especializado em generalidades: No Coletivo: No Coletivo S ete horas da noite. Fim de mais um rotineiro dia de semana. Retornavam as suas respectivas residências a multidã...
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